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Brasil inicia o ano com duas novidades importantes nos espaços expositivos nacionais. No Rio de Janeiro, em Vassouras, no Vale do Café, foi inaugurado o Museu Vassouras, na sede do antigo Hospital Nossa Senhora da Conceição (Santa Casa da Misericórdia) erguido em 1848 como primeiro hospital da cidade, protegido como Patrimonio Histórico. Após anos de estar interditado por risco de desabamento, foi restaurado pelo Instituto Vassouras Cultural e concluído em 2025.
Com a inauguração da exposição Chegança: pedir licença, com curadoria de Marcelo Campos, a mostra traz no seu título um pedido de licença para os habitantes do Vale do Café no sul fluminense, para chegar na cidade, para receber as pessoas, contar e compartilhar histórias. Um cuidado com a região, de antes e de hoje, com imagens e músicas. O museu desenvolve vários projetos de pesquisa, em percursos do material educativo. Dentre eles, 5 Vozes do Vale realizou mais de 40 entrevistas ouvindo as vozes do território em 14 cidades da região.
Uma presença forte na região é a ferrovia, que marcou profundamente o território do Vale do Café, e sua conexão com a Central do Brasil. Das umbigadas às rodas de jongo, das rezas às músicas populares, das curimbas aos funks, as histórias e conversas se espalhavam nas roças e quintais. O Vale do Paraíba é chamado de Vale do Café porque chegou a concentrar quase a metade da produção mundial do grão no século XIX. Com os trilhos, o café corria para o porto. Assim foi que o Jongo, que chegou ao Brasil de Angola, e o Congo, pai do samba, se estabeleceu no Vale e unia os negros em “chamados” pontos de demanda. Com cantos e músicas, onde se planejavam fugas, numa comunicação cifrada.
Brasil é um celeiro onde a natureza e as histórias de seus habitantes se entrelaçam e representam para a memória e a arte uma permanente descoberta.
Nesta edição estivemos com as equipes do SESC São Paulo, em Sorocaba, na quarta edição de Frestas; com as curadoras Luciara Ribeiro, Naine Terena e Khadyg Fares, em um trabalho de pesquisa e encontro com saberes ancestrais e com uma experiência socio-coletiva; com os diretores do Museu Paranaense – MUPA, de Curitiba, um dos mais antigos do Brasil, e primeira entidade científica do estado do Paraná. A mostra CEU-Eclipse, é uma construção poética para discutir a crise climática, encarando a meteorologia não apenas como ciência, mas também como uma linguagem artística. Todas as matérias refletem uma disposição para o investimento e o crescimento onde diferentes segmentos vem, efetivamente, se dedicando ao desenvolvimento socio-cultural do Brasil.
Até a próxima!