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EXPOSIÇÃO SÃO PAULO
Acima, Sheroanawe Hakihiiwe, Hema ahu [Teia de aranha com orvalho pela manhã] [Spider Web with Dew in the
Morning], 2021. Acrílica sobre papel de algodão, 51.2 x 69.2 cm, Coleção Galería ABRA, Caracas, Venezuela. Ao lado,
Sheroanawe Hakihiiwe Shiwarikiwe thoo [Cipó emaranhado], 2021. Acrílico sobre papel de cana-de-açúcar, 69.2 x 51.5 cm
– de 2015 a 2022 – e permite ao público observar, entre exemplo, além de ter pintado também em tecido. Embora
outros aspectos, a recente ampliação do leque de cores esses procedimentos, de alguma forma, tenham se
de que Sheroanawe lança mão. modificado ao longo do tempo, claro que os temas de
“Muito da produção inicial do Sheroanawe tinha, não vou que ele tem tratado permanecem. É quase a criação de
dizer um limite da cor, mas sempre a referência ao preto e uma catalogação ou de um arquivo mesmo. Uma memó-
ao vermelho. Que é justamente uma conexão que o artista ria daquilo que ele encontra nos aspectos ritualísticos
faz com as pinturas corporais e faciais da sua comunidade de sua comunidade, no fazer cotidiano, nos utensílios, FOTOS: CORTESIA GALERÍA ABRA/MARÍA TERESA HAMON
e de seu entorno. A gente encontra, por exemplo, sempre o bem como um registro da fauna e da flora que cerca a
preto, vermelho e branco fazendo referência à cobra coral”, vida na floresta”.
conta André Mesquita, curador da exposição. David Ribeiro, assistente curatorial da mostra,
“Mas Sheroanawe expandiu a sua paleta de uns destaca que a produção de Sheroanawe está muito
três anos para cá. Ele tem utilizado azul e amarelo, por “relacionada aos períodos em que ele fica na floresta,
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