Page 16 - ARTE!Brasileiros #39
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POR AÍ

             BERLIM
            A alquimia Polke


             Sigmar Polke, talentoso artista alemão do
             pós-guerra, foi pintor, designer gráfico, fotógrafo
             e ótimo crítico de seu tempo e de si próprio.
             Inquieto, experimentava tanto uma linguagem
             pictórica limpa como gravuras mais expressivas,
             colagens, fotografias, múltiplos, livros, objetos.
             Um conjunto desse variado universo visual, entre
             1963 e 2009, está reunido pela curadora brasileira
             Tereza de Arruda, que vive em Berlim, na mostra
             Sigmar Polke The Editions, na galeria Me Collectors
             Room, Auguststrasse, 68, Berlim. Até 27 de junho.
             “O universo de Polke está intimamente ligado
             ao tema da alquimia que se mistura à dimensão
             política, por meio da referência contínua do
             mundo contemporâneo e da história antiga”,
             define Arruda. Sua trajetória se movimenta   NOVA YORK
             aleatoriamente entre o abstracionismo e o
             figurativismo, construindo assim um imaginário   Ramos e raízes

                                                          Uma árvore em tamanho natural, construída
                                                          a partir de tapumes e cascas de árvores,
                                                          ocupa até 30 de junho a galeria Van de Weghe,
                                                          em Nova York. A instalação, que mais
                                                          parece surgir de dentro da parede do espaço,
                                                          é do brasileiro Henrique Oliveira, conhecido
                                                          por suas esculturas feitas com restos
                                                          de canteiro de obra, madeira,
                                                          metal, espumas, galhos e o que mais
                                                          o artista encontrar pelo caminho.
                                                          Para essa mostra, Oliveira criou um espaço
                                                          exclusivo e todo forrado em tapume
                                                          para receber um enorme tronco de árvore.
             dinâmico. A edição completa da obra de Polke   Os inúmeros ramos que se estendem
             está presente com a intensiva e excessiva    pelo chão e teto são reabsorvidos
             variação de experimentação que ele traz de sua   pelo ambiente, em uma alusão
             vida pessoal e do mundo. A Kunstraum am Limes   ao ciclo da natureza e sua degradação.
             Collection mantém algumas variações de cópias   Conhecido por suas obras escultóricas
             de cada edição. No entanto, Polke, muitas vezes,   imponentes, que ultrapassam os limites do
             faz dessas gravações uma obra única. Ele foi     espaço e do óbvio e ganham formas animais
             um dos primeiros artistas a combinar fotografia,   e vegetais, Oliveira tem entre seus trabalhos
             performance e instalação com a pintura.      mais conhecidos a Transarquitetônica, que
             Nos anos 1970 se notabilizou como grande artista   ocupou em 2014 o prédio do Museu de Arte
             nascido no lado Oriental, ao lado de George   Contemporânea de São Paulo com
             Baselitz e Gerhart Richter. Polke percorreu    enormes túneis de tapume que, conforme
             o México, a Austrália e o Paquistão, onde explorou   percorridos, mudavam de forma e material:
             a fotografia como complemento para sua arte.  de tijolos e rejuntes a raízes e cascas.


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