Exposição "Ogunhê”, de Luiz Martins
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A Galeria Base inaugura no próximo sábado (7) a exposição “Ogunhê”, de Luiz Martins, com texto crítico de Priscyla Gomes. Reunindo cerca de 40 obras inéditas — entre desenhos,
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A Galeria Base inaugura no próximo sábado (7) a exposição “Ogunhê”, de Luiz Martins,
com texto crítico de Priscyla Gomes. Reunindo cerca de 40 obras inéditas — entre
desenhos, pinturas, esculturas, objetos e vídeo — a mostra foi concebida especialmente
para a galeria.
“Conhecido por sua pluralidade, Luiz apresenta um conjunto que revela a amplitude de
sua pesquisa”, afirma Daniel Maranhão, diretor da Galeria Base e curador da exposição,
e acrescenta “Apesar da mostra não ter um caráter retrospectivo, ela convida o público
a imergir no universo do artista, que reproduz em certas obras, a sua própria história”.
“Ogum abre caminho e, ao abrir, expõe os riscos do corte.” A frase, escrita por Priscyla
Gomes, sintetiza a tensão que estrutura Ogunhê, maior individual do artista até o
momento. A partir da evocação do orixá associado ao ferro, ao trabalho e à abertura de
caminhos, a mostra propõe uma experiência imersiva que articula memória, matéria e
espiritualidade.
Em vez de ilustrar a figura mítica, a exposição incorpora sua lógica: a do gesto que
constrói, corta e transforma.
Natural de Machacalis (MG), Luiz Martins (1970) desenvolve uma pesquisa marcada por
suas origens e por investigações arqueológicas e antropológicas que tensionam história
e identidade. Seu processo envolve repetição, camadas e vestígios — aquarelas,
pinturas, esculturas e instalações que revelam o tempo como matéria ativa.
O artista vem consolidando presença internacional, com exposições em Portugal,
Áustria, Polônia, Lituânia, Dinamarca, Itália, Japão e França, ampliando o diálogo de sua
produção com diferentes contextos culturais.
A exposição se organiza em dois momentos: Nascimento e Purificação. No primeiro, a
terra ocupa o espaço expositivo como elemento primordial. No segundo, o chão é coberto
por sal grosso, material historicamente associado à preservação e à proteção. A
presença física dessas matérias transforma o deslocamento do visitante em parte da
obra.
Nesse percurso, o fazer artístico se aproxima de um gesto ritual. A repetição, o acúmulo
e o trabalho com camadas revelam um processo que não busca apagar o que veio antes,
mas incorporá-lo como vestígio ativo. As obras operam como superfícies de memória,
onde o tempo se deposita e permanece em tensão.
Ao atravessar a exposição, o visitante é convocado a uma experiência sensorial direta,
em que o corpo se torna medida do espaço. O contato com os materiais — a densidade da terra, o atrito do sal — transforma o caminhar em prática, deslocando a percepção da
obra como objeto para a obra como experiência.
Entre terra e sal, Ogunhê convida o público a atravessar um percurso que tensiona
origem e transformação, força e medida — reafirmando o caminho como experiência e
condição.
Serviço
Exposição | Ogunhê
De 10 de março a 18 de abril
Terça a sexta-feira, das 10hs às 19hs; sábado, das 10hs às 15hs
Período
Local
Galeria BASE
R. Artur de Azevedo, 493 - Cerqueira César, São Paulo - SP

