Exposição "André Taniki Yanomami: ser imagem"

sex05dez10:00dom05abr20:00Exposição "André Taniki Yanomami: ser imagem"O título da exposição refere-se ao movimento espiritual que Taniki faz, nos rituais xamânicos, de deixar de ser apenas humano e conseguir existir em forma de imagem, assim como os espíritos.MASP, Avenida Paulista, 1578, São Paulo

Detalhes

André Taniki Yanomami nasceu por volta de 1945 na aldeia Okorasipëki, nas cabeceiras do rio Lobo d’Almada, na Terra Indígena Yanomami, em Roraima. Taniki, além de artista, é xamã, um mediador entre o mundo humano e o mundo espiritual em culturas indígenas e tradicionais, capaz de comunicar-se com espíritos, curar e equilibrar forças visíveis e invisíveis por meio de rituais, cantos e transes. Entre 1976 e 1985, Taniki desenvolveu um conjunto de desenhos em diálogo com uma artista, um antropólogo e missionários. Esta exposição é a primeira dedicada inteiramente à sua obra e reúne 121 desenhos realizados em dois momentos: nas trocas com a fotógrafa suíço-brasileira Claudia Andujar, em 1976–77, e nos encontros com o antropólogo francês Bruce Albert, em 1978, nas aldeias onde o artista-xamã vivia.

Nos desenhos de 1976–77, Taniki criou cenas da visão de mundo yanomami e de rituais funerários que ocorriam na sua comunidade. Esses desenhos, expostos nesta parede, foram realizados em cores já utilizadas pelos Yanomami nas pinturas corporais e cestarias, como preto, roxo e vermelho. No ano seguinte, em diálogo com Albert, Taniki produziu os desenhos expostos na parede oposta a essa, registrando suas visões durante transes xamânicos em composições multicoloridas e vibrantes, com formas abstratas e geométricas. Eles demonstram como Taniki era estimulado espiritual e visualmente pelo poder da yãkoana, pó psicoativo proveniente da casca de uma árvore amazônica. Similar à ayahuasca, é inalado pelos xamãs e alimenta os espíritos.

Na visão de mundo yanomami, a noção de imagem (utupë) não é apenas a compreensão visível, mas também a essência interior que constitui o núcleo vital de todas as coisas. O título da exposição, Ser imagem (Në utupë, em yanomami), refere-se ao movimento espiritual que Taniki faz, nos rituais xamânicos, de deixar de ser apenas humano e conseguir existir em forma de imagem, assim como os espíritos. Até hoje, Taniki exerce em sua comunidade suas responsabilidades xamânicas, mediando relações entre os espíritos ancestrais e os Yanomami não xamãs. Do mesmo modo, embora não desenhe mais, suas obras continuam a atestar seu poder intermediador, tornando o invisível (as imagens-espíritos) visível (as imagens-desenhos).

Curadoria: Adriano Pedrosa, diretor artístico, e Mateus Nunes, curador assistente, MASP

Serviço
Exposição | André Taniki Yanomami: ser imagem
De 05 de dezembro a 05 de abril
Terças grátis, das 10h às 20h (entrada até as 19h); quarta e quinta das 10h às 18h (entrada até as 17h); sexta das 10h às 21h (entrada gratuita das 18h às 20h30); sábado e domingo, das 10h às 18h (entrada até as 17h); fechado às segundas.

Agendamento on-line obrigatório pelo link masp.org.br/ingressos

Período

5 de dezembro de 2025 10:00 - 5 de abril de 2026 20:00(GMT-03:00)

Local

MASP

Avenida Paulista, 1578, São Paulo

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