Instalação "Museu da Antiga Colônia" de Pablo Delano
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O MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand apresenta Pablo Delano: O museu da Antiga Colônia, primeira mostra individual do artista porto-riquenho no Brasil. Artista visual e
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O MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand apresenta Pablo Delano: O museu da Antiga Colônia, primeira mostra individual do artista porto-riquenho no Brasil. Artista visual e fotógrafo reconhecido por sua atuação no campo do arquivo e da memória de povos latino-americanos e caribenhos, Pablo Delano (Porto Rico, 1954) propõe, nesta exposição, uma reflexão sobre o status político e social de seu país natal, considerado a colônia mais antiga do mundo. Com curadoria de Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP, e Fernando Oliva, curador, MASP, a mostra tem como centro o projeto O museu da antiga colônia, que articula imagens, objetos e documentos relacionados à história colonial de Porto Rico, desde a dominação espanhola até a atual condição da ilha como território não incorporado dos Estados Unidos. A instalação funciona como “um museu dentro do museu”, reproduzindo e, ao mesmo tempo, questionando os modos tradicionais de organizar, classificar e apresentar objetos e imagens. Fotografias históricas são ampliadas e fixadas diretamente nas paredes, sem molduras, ao lado de objetos do cotidiano — como é o caso das garrafas do refrigerante Old Colony, produto criado nos Estados Unidos e atualmente comercializado apenas em Porto Rico, que dá origem ao título da exposição.
“Pablo Delano oferece a possibilidade de olhar para a história de Porto Rico, e sua colonização pelos Estados Unidos, de uma outra maneira. Mais crítica, certamente, mas também com alguma graça e ironia, como que a lembrar que mesmo a denúncia e a resistência podem se valer do humor como estratégia viral e disruptiva”, afirma Fernando Oliva.
A história de Porto Rico possui muitos pontos de contato com a do Brasil, como o passado colonial e escravagista a que foram submetidos indígenas e negros, e que deixou profundas marcas na sociedade, economia e cultura de ambos os países. “A principal pergunta que podemos nos colocar diante da proposta de Pablo Delano para o MASP é: qual ressonância o termo ‘anticolonial’ pode ter no Brasil de hoje? Essa exposição é uma oportunidade para nos confrontarmos com esse dilema”, diz o curador. “No contexto de uma situação geopolítica na qual a América Latina é sistematicamente ameaçada pela retórica belicista de um novo colonialismo estadunidense, a obra de Delano ganha ainda mais urgência.”
Ocupado pela Espanha em 1508 e transferido ao controle dos Estados Unidos em 1898, após a Guerra Hispano-Americana, Porto Rico é hoje definido como um “território não incorporado” que pertence aos Estados Unidos, mas não faz parte deles. Os porto-riquenhos receberam a cidadania estadunidense em 1917, no entanto, os cidadãos que vivem na ilha não votam nas eleições dos Estados Unidos, entre outras restrições. Esse tipo de ambiguidade permeia o museu de Delano, que aborda como a fotografia, a publicidade e os objetos do cotidiano são usados para construir estereótipos e promover uma visão de “paraíso tropical” que busca esconder a exploração e a violência.
O museu da antiga colônia dialoga diretamente com o projeto anticolonial desenvolvido pelo MASP desde sua fundação, no final dos anos 1940, a partir das ideias de Lina Bo Bardi e Pietro Maria Bardi. “Já em suas origens, havia ali uma visão não eurocêntrica de museu, visto como uma instituição que colocaria em articulação múltiplos saberes, oriundos não apenas de artistas no sentido ocidental canônico, mas de qualquer um que pudesse oferecer uma contribuição”, explica Oliva. Em 1968, o MASP implementou os cavaletes de vidro, desenvolvidos por Lina, para apresentar o acervo, colocando no mesmoplano — material, simbólico e visual — obras do cânone europeu e de artistas brasileiros, incluindo criadores autodidatas. “Assim como Lina Bo Bardi na década de 1960, a obra de Delano também parece se perguntar, afinal, o que é hoje uma exposição de arte em um museu, um lugar criado no contexto da colonização e que por séculos funcionou para reafirmar as estruturas e representações dessa mesma colonização”, diz Fernando Oliva.
O museu da antiga colônia participou da Bienal de Veneza de 2024, sob curadoria de Adriano Pedrosa, e já foi exibido em instituições em Porto Rico, Estados Unidos, Argentina, Jamaica e Trindade e Tobago.
Pablo Delano: O museu da antiga colônia integra a programação anual do MASP dedicada às Histórias latino-americanas. A programação do ano também inclui as mostras de Jesús Soto, Rosa Elena Curruchich, Manuel Herreros e Mateo Manaure, Carolina Caycedo, Sol Calero, Damián Ortega, Colectivo Acciones de Arte, Claudia Alarcón & Silät, La Chola Poblete, Santiago Yahuarcani e Sandra Gamarra Heshiki.
MASP CONVERSAS
No dia da abertura da exposição ao público, 30 de outubro, às 19h, o artista Pablo Delano e o curador Fernando Oliva conversam com o público sobre o projeto. O evento, gratuito, será realizado presencialmente, com tradução simultânea português/espanhol (retirada de fones mediante apresentação de documento com foto) e interpretação em Libras, e, posteriormente, será disponibilizado no canal do MASP no YouTube.
Serviço
Instalação | Museu da Antiga Colônia
De 30 de outubro a 31 de janeiro
Terças grátis, das 10h às 20h (entrada até as 19h) com patrocínio Nubank; quarta e quinta, das 10h às 18h (entrada até as 17h); sexta, das 10h às 21h (entrada gratuita da 18h às 20h30 com patrocínio B3); sábado e domingo, das 10h às 18h (entrada até as 17h); fechado às segundas.
Período
Local
MASP
Avenida Paulista, 1578, São Paulo
