Exposição "Entrar na Roda" de Janina McQuoid

sab03out(out 3)10:00sab07nov(nov 7)18:00Exposição "Entrar na Roda" de Janina McQuoidMostra de Janina McQuoid reúne esculturas que exploram corpo, movimento, equilíbrio e sustentação, articulando experiências da criação artística, da maternidade e das relações com o outro.Sardenberg, Travessa Dona Paula, 29 / 134 - Consolação - São Paulo - SP

Detalhes

A Sardenberg tem a satisfação de apresentar Entrar na Roda, segunda exposição individual de Janina McQuoid na galeria. O título evoca as brincadeiras infantis de roda, o gesto de integrar uma dinâmica coletiva e a roda como mecanismo de movimento. Participar, mover-se e encontrar apoio se entrelaçam nas obras, nas quais sustentar um corpo constitui uma ação central. Figuras, rodas e volumes envolvidos experimentam maneiras de ocupar o espaço e permanecer. Como projeções de um corpo feminino e artístico, essas construções investigam um lugar no mundo. Pintar, amarrar, modelar e revestir são modos de constituí-lo, negociando seus limites e suas possibilidades de movimento.

Papel machê, madeira, alumínio, tecido, gesso, cera e fios compõem anatomias cujas articulações permanecem à vista. As superfícies guardam os gestos da fabricação em espessuras, dobras e remendos. Sobre elas, a pintura estabelece relações próprias. Uma cor reúne materiais distintos; uma pincelada atravessa um relevo; uma mancha interrompe a continuidade de uma forma. Essa elaboração cromática interfere na percepção do peso e dos contornos.

Em Varal, o rosa percorre o apoio inclinado e se expande pela estrutura superior, articulando elementos projetados em diversas direções. Conforme o ponto de vista, o conjunto se concentra ou se abre. Em Roda gigante, acentos vermelhos pontuam o círculo escuro, enquanto pinceladas claras e passagens azuladas e ocres introduzem variações nos volumes. A pintura acompanha a modelagem e oferece outros percursos ao olhar, distribuindo o giro sugerido pela roda em ritmos e intervalos.

Macabéa torna especialmente sensível a transformação da escultura pelo deslocamento do observador. De perfil, quase se reduz a uma linha sinuosa; de frente, abre-se numa trama que deixa o espaço passar. Conhecê-la exige tempo, percorrer suas faces e rever aquilo que parecia definido. O título evoca a personagem de A hora da estrela, de Clarice Lispector, e a questão de como uma vida encontra lugar e reconhecimento. A aproximação com as figuras alongadas de Alberto Giacometti passa pela intensidade humana que poucos elementos podem adquirir. Em Janina, essa presença se constitui também nos vazios.

Artista/mãe reúne criação e movimento numa bicicleta que avança sobre tubos de tinta. As rodas desiguais encontram um terreno feito dos materiais do trabalho artístico. A pintura está na superfície da escultura e no chão que ela precisa atravessar. Para avançar, esse corpo precisa encontrar apoio e equilíbrio sobre os próprios materiais de trabalho.

As reflexões da historiadora da arte feminista Griselda Pollock sobre a subjetividade feminina e materna ajudam a pensar esse corpo a partir das relações que o constituem. Em Artista/mãe, o vínculo entre mãe e filho pode ser pensado na distribuição dos apoios, na necessidade de ajustar o próprio movimento à presença de outro. Criar e sustentar uma vida envolvem tempos que se cruzam e transformam as condições do trabalho. Essa experiência adquire uma dimensão escultórica na negociação entre pesos, distâncias e espaços compartilhados.

A inteligência construtiva da brincadeira aproxima essas obras do circo de Alexander Calder, cujos personagens e aparelhos fazem do equilíbrio um acontecimento. Em Janina, rodas e estruturas inclinadas convidam a imaginar o que essas figuras poderiam fazer. A aparência de improvisação torna sensível o trabalho de ajustar as partes e encontrar uma posição possível. Já as figuras atravessadas por fios de Germaine Richier, como Le Diabolo, permitem pensar como a anatomia se prolonga nas linhas que ligam suas extremidades. O corpo ocupa o espaço também por aquilo que mantém separado e conectado.

Os procedimentos de envolver e ligar encontram uma interlocução em Eva Hesse. Em Janina, enrolar produz espessura, e as amarrações registram o tempo dedicado a reunir as partes. Essas operações guardam uma ambivalência. Um nó sustenta e comprime; um revestimento protege e oculta. Em Borda, o ocre aproxima massa, amarrações e base, enquanto áreas verdes e acinzentadas perturbam essa unidade. Seu volume evoca O enigma de Isidore Ducasse, de Man Ray. A pintura participa desse enigma, tornando incertos os limites entre as matérias e a identidade daquilo que vemos.

Entrar na Roda faz da sustentação uma experiência física, perceptiva e relacional. Cada ligação permite uma postura e estabelece um limite. Entre o impulso de avançar e o esforço de permanecer, Janina dá forma às condições de uma existência que precisa continuamente compor seu espaço e seu tempo com os de outros.

Serviço
Exposição | Entrar na Roda
De 03 de outubro a 07 de novembro
Terça a sexta, das 10h às 18h; Sábados, das 11h às 17h

Período

3 de outubro de 2026 10:00 - 7 de novembro de 2026 18:00(GMT-03:00)

Local

Sardenberg

Travessa Dona Paula, 29 / 134 - Consolação - São Paulo - SP

Outros eventos

Como chegar