Bárbara Banida e Emer Freire inauguram apresentam a exposição “Mecanosfera”, com curadoria de Lucas Dilacerda, na Claraboia. Realizada em parceria com a Cave, a mostra discute o pós-humanismo e o
Bárbara Banida e Emer Freire inauguram apresentam a exposição “Mecanosfera”, com curadoria de Lucas Dilacerda, na Claraboia. Realizada em parceria com a Cave, a mostra discute o pós-humanismo e o vitalismo material através de instalações, cerâmicas, pinturas, esculturas e sons.
O título parte do conceito de mecanosfera, desenvolvido pelos filósofos Gilles Deleuze e Félix Guattari, que compreende o mundo como um conjunto de agenciamentos maquínicos, biológicos, tecnológicos, sociais e naturais. Nessa perspectiva, o humano deixa de ocupar uma posição central e a realidade passa a ser entendida como uma rede de conexões na qual não há separação rígida entre tecnologia e natureza ou entre o biológico e o social.
“Esta exposição aproxima as poéticas de Bárbara Banida e Emer Freire por meio do erotismo material. Aqui, vemos seres híbridos, mas não é o hibridismo que nos interessa, e sim o grau zero da vida, ponto ápice do desejo, sem linguagem e sem separabilidade: o instante fulgor no infinito onde não há formas determinadas, na qual tudo que existe é, ao mesmo tempo, o mínimo de determinação e o máximo de possibilidades”, afirma Lucas Dilacerda, que assina a curadoria da exposição.
Na produção de Bárbara Banida, essa reflexão se desenvolve a partir de Erotar, planeta ficcional criado pela artista em estado de regeneração. Suas esculturas em cerâmica assumem a forma de criaturas híbridas e paisagens de geografias imaginárias, em uma pesquisa que se contrapõe aos discursos de fim do mundo e ao pessimismo ambiental.
Emer Freire, por sua vez, constrói sistemas por meio do acoplamento de elementos industriais e orgânicos. Ao reunir diferentes materialidades, sua pesquisa questiona divisões estabelecidas entre elas e investiga formas de coexistência entre matérias distintas.
A aproximação entre os dois artistas conduz a uma reflexão sobre as formas como a humanidade historicamente se relacionou com diferentes vidas no planeta e sobre o que a própria matéria pode sugerir em termos de outras relações e futuros possíveis.
“Mecanosfera acontece como dois planetas que se alinham. As poéticas de Bárbara Banida e Emer Freire se aproximam pelo espanto diante da matéria e pelo desejo de imaginar o que ela pode se tornar quando suas divisões deixam de funcionar. Se em Bárbara esse encontro acontece pelo romance, pela força erótica que faz vulcões desejarem estrelas, cometas beijarem a terra e o barro lembrar que nunca esteve separado da Natureza; em Emer ele acontece pelo terror da ficção científica, diante de máquinas, fósseis e matérias alienígenas que já não conseguimos reconhecer como naturais ou artificiais, vivas ou mortas. Bárbara olha para o cosmos e fabula mundos onde a matéria se apaixona; Emer olha para os resíduos deste mundo e constrói agenciamentos em que a matéria reaprende a viver. Uma produz mitologias de atração, o outro cria ecologias de contaminação. Mas romance e terror conduzem ao mesmo lugar: ao desconhecido que surge quando aquilo que parecia separado volta a se encontrar.”, conclui Lucas Dilacerda.
Serviço
Exposição | Mecanosfera
De 6 de outubro a 14 de novembro
Segunda a sexta, das 10h às 19h; Sábado, das 11h às 15h
CLARABOIA
Al. Gabriel Monteiro da Silva, 2906 Jardim América, São Paulo - SP