Exposição "Bandeira Branca" de Luana Vitra
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A Pinacoteca de São Paulo, museu da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, apresenta a obra Bandeira Branca, da artista visual
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A Pinacoteca de São Paulo, museu da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, apresenta a obra Bandeira Branca, da artista visual Luana Vitra, no Projeto Octógono, espaço central do edifício Pina Luz. Com curadoria de Pollyana Quintella, a mostra exibe uma instalação monumental concebida especialmente para o local.
Em Bandeira Branca, Luana Vitra parte das terras-raras, conjunto de dezessete elementos químicos decisivos para as tecnologias que organizam o mundo contemporâneo, da transição energética às comunicações, para refletir sobre as continuidades entre extrativismo, colonialismo e as formas de vida que deles emergem.
“Aqui, a matéria mineral funciona como registro de processos que costumam se manter invisíveis, nos levando a observar o que sustenta a cadeia produtiva da tecnologia contemporânea. Ao suspender um arco sobre uma bandeira que nunca se rende de fato, a artista parece recusar tanto a solução quanto a derrota; a obra permanece em estado de uma espécie de trégua provisória, como esse presente que habitamos. Afinal, quem controla a matéria, controla o tempo por vir”, analisa Pollyana Quintella, curadora da Pinacoteca.
A obra Bandeira Branca conta com o patrocínio da CHANEL. Desde 2025, Pinacoteca e CHANEL desenvolvem em parceria um programa anual de residência dedicado a capacitar e impulsionar a trajetória criativa de mulheres artistas. A cada ano, a residência seleciona uma artista mulher de destaque — trabalhando em qualquer disciplina ou linguagem —, oferecendo a ela mentoria dedicada por meio dos Art Partners da CHANEL e uma plataforma para aprofundar sua prática.
A residência conta com uma exposição individual dedicada na Pinacoteca, proporcionando visibilidade e suporte fundamentais para as vozes criativas femininas. O projeto estreou no ano passado com a artista Juliana dos Santos (1987, São Paulo), que expôs Temporã na Pina Contemporânea.
Nascida em um estado atravessado por séculos de economias mineradoras e extrativismo, Vitra se interessa pelas propriedades concretas dos minerais, sua capacidade de conduzir, pesar, proteger, contaminar ou resistir, e pelas histórias que essas matérias condensam. Ferro, cobre e chumbo são, ao mesmo tempo, elementos físicos e signos de processos extrativos, industriais, coloniais e espirituais. Ao mobilizá-los, Luana Vitra aproxima corpo e território, sugerindo que a exposição humana está inscrita em uma matéria mineral mais ampla, feita de memória, violência, energia e transformação.
“Bandeira Branca é uma obra onde penso sobre as guerras que foram travadas no passado, as que estamos vivendo agora e as que ainda estão por vir. Elas são essencialmente materialistas: a matéria é o objeto de desejo, é através das matérias que se conquista, e a matéria é o prêmio do vencedor. Se pensarmos nos conflitos coloniais, foi o domínio da pólvora que nos levou a esse desenho de mundo que temos hoje, ao mesmo tempo é o desejo pelas matérias que desenha os maiores desastres do nosso futuro. Nessa instalação, me relaciono especificamente com as terras-raras, esse conjunto de dezessete elementos que condensa o tempo de tudo que vivemos e nos lança a uma malha de reflexão do por vir. Ter uma bomba-relógio nas mãos é também ter uma máquina do tempo, que pode nos ajudar a imaginar qual a trégua possível para essa luta que a tanto tempo travamos entre nós e contra a terra”, explica Luana Vitra.
Serviço
Exposição | Bandeira Branca
De 05 de setembro a 31 de janeiro
Quarta a segunda, das 10h às 18h
Período
Local
Pina Luz
Praça da Luz, 2, Bom Retiro, São Paulo — SP
