A artista portuguesa Dalila Gonçalves inaugura a exposição Pata quebrada com gesso liso, no Marli Matsumoto Arte Contemporânea Anexo, na Travessa Dona Paula, em São Paulo.
A artista portuguesa Dalila Gonçalves inaugura a exposição Pata quebrada com gesso liso, no Marli Matsumoto Arte Contemporânea Anexo, na Travessa Dona Paula, em São Paulo. Com curadoria de Sérgio Fazenda Rodrigues, a mostra é composta por um site-specific que ocupa todas as paredes do espaço com impressões em gesso produzidas a partir de moedas de diferentes partes do mundo.
Em vez de exibidas como objetos, as moedas aparecem como marcas discretas, enterradas sob uma camada branca, frágil e provisória. As imagens gravadas em suas superfícies — animais que habitam diferentes geografias — são parcialmente veladas pelo gesso e revelam-se por meio das texturas, profundidades e sombras.
As figuras seguem uma organização vertical a partir dos habitas de cada animal: seres marinhos ficam junto ao chão; os que habitam a terra estão na altura do corpo do visitante; e aqueles que voam ocupam a parte superior das paredes. A sala converte-se, assim, em uma espécie de paisagem simbólica, na qual mar, terra e céu se constroem a partir da aproximação entre espécies e territórios distintos.
Ao transpor as moedas para um material quebradiço, Dalila Gonçalves desloca também os sentidos tradicionalmente associados a esses objetos. Antes submetidas à circulação cotidiana e à lógica do valor financeiro, elas assumem uma presença quase fantasmática. A troca monetária dá lugar à descoberta, à composição e à experiência sensível.
No campo contínuo de marcas, a parede deixa de funcionar apenas como suporte e passa a constituir um território em formação. “Na totalidade dessa nova camada de gesso, na descoberta das figuras que aí se acolhem, a obra ensaia um novo território. Um território de sobreposições, composto por seres de diferentes geografias, que não surge como coisa fixa, mas antes como algo em construção. Algo que, delicadamente, ensaia um exercício de contiguidade, abertura e descoberta”, escreve Sérgio Fazenda Rodrigues no texto que acompanha a exposição.
Pata quebrada com gesso liso tem o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, DGArtes e República Portuguesa – Cultura. A exposição fica em cartaz até 8 de outubro.
Serviço
Exposição | Pata quebrada com gesso liso
De 15 de Agosto a 15 de Outubro
Terça à sexta, das 11h às 19h; sábados, das 12h às 17h
Marli Matsumoto Arte Contemporânea
Rua João Alberto Moreira, 128, Vila Madalena, São Paulo - SP