Exposição "Jogos de Contaminação" de Nazareth Pacheco
Detalhes
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“Nazareth Pacheco: Jogos de Contaminação” reúne trabalhos realizados pela artista desde o fim dos anos 1980, acompanhando sua produção e suas pesquisas ao longo de quatro décadas, além de incluir duas obras na área externa feitas para esta exposição.
Na fortuna crítica sobre a produção da artista, é recorrente a menção à influência inicial do pós-minimalismo, à serialização como procedimento operacional e ao interesse pela experimentação de materiais e pelo confronto com suas propriedades e usos. Destaca-se, igualmente, o modo como sua obra se vincula à sua biografia, à investigação do próprio corpo e do feminino, desde sua dimensão íntima à política.
Sua produção é também frequentemente associada a relações de contraste e reflexo entre beleza e violência, sedução e repulsa, prazer e dor, proteção e aprisionamento, controle e vulnerabilidade, intimidade e exposição, fragilidade e resistência.
Para Nazareth Pacheco, esses binômios não operam como opostos. Eles evidenciam o caráter simultâneo e indissociável de seus dois polos, dando a ver a tensão e as inversões que mantêm a partida em movimento e o corpo-jogador no páreo. Como no Ping-Pong, a atenção é capturada pela dinâmica do bater e rebater, que aqui se instaura entre artista, matéria, assunto, espaço e público. Em interação, fazem suas apostas, instauram suas regras e, volta e meia, as transgridem.
Nesse sentido, o jogo, para a artista, funciona como procedimento crítico: operação capaz de converter signos culturalmente estabilizados em experiências ambíguas e perturbadoras, revelando as violências sutis inscritas nos dispositivos de normalização e captura do corpo e do desejo.
O que se compreende, com a partida já em curso, é que tornar o corpo mulher talvez seja a jogada mais arriscada: a grande aposta. Em um território marcado pela intimidade, esse corpo, fragmentado e sempre em formação, é constantemente atravessado por mecanismos de normatização, captura e resistência. Já ao redor do Quarto, impenetrável, aquilo que antes parecia restrito ao espaço privado nos lembra que os jogos de poder contaminam-se e proliferam na esfera social e coletiva.
Essas tensões são visíveis também nos materiais que a artista mobiliza e na maneira como subverte seus usos habituais: da borracha, do bronze e do latão à cera, ao acrílico, às miçangas, às agulhas, lâminas e outros objetos cortantes, cirúrgicos, além do próprio sangue. Suas superfícies sedutoras e reluzentes devolvem ao espectador uma imagem invertida e instável de si mesmo e do entorno. Materiais, corpos, sentidos e posições transformam-se mutuamente ao longo da partida. Entre parceiros e adversários, atração e confronto, cada aproximação revela que a experiência com a obra é sempre também uma experiência de contaminação.
Amanda Tavares, curadora
Serviço
Exposição | Jogos de Contaminação
De 18 de julho a 31 de outubro
Terça a domingo, das 11h às 17h
Período
Local
Museu Brasileiro da Escultura e Ecologia - MuBE
Rua Alemanha, 221 - Jardim Europa, São Paulo - SP
