Exposição "Jogos de Contaminação" de Nazareth Pacheco

sab18jul(jul 18)11:00sab31out(out 31)17:00Exposição "Jogos de Contaminação" de Nazareth PachecoNo MuBE, Nazareth Pacheco revisita quatro décadas de produção em obras que tensionam corpo, desejo, violência e contaminação.Museu Brasileiro da Escultura e Ecologia - MuBE, Rua Alemanha, 221 - Jardim Europa, São Paulo - SP

Detalhes

Nazareth Pacheco: Jogos de Contaminação” reúne trabalhos realizados pela artista desde o fim dos anos 1980, acompanhando sua produção e suas pesquisas ao longo de quatro décadas, além de incluir duas obras na área externa feitas para esta exposição.

Na fortuna crítica sobre a produção da artista, é recorrente a menção à influência inicial do pós-minimalismo, à serialização como procedimento operacional e ao interesse pela experimentação de materiais e pelo confronto com suas propriedades e usos. Destaca-se, igualmente, o modo como sua obra se vincula à sua biografia, à investigação do próprio corpo e do feminino, desde sua dimensão íntima à política.

Sua produção é também frequentemente associada a relações de contraste e reflexo entre beleza e violência, sedução e repulsa, prazer e dor, proteção e aprisionamento, controle e vulnerabilidade, intimidade e exposição, fragilidade e resistência.

Para Nazareth Pacheco, esses binômios não operam como opostos. Eles evidenciam o caráter simultâneo e indissociável de seus dois polos, dando a ver a tensão e as inversões que mantêm a partida em movimento e o corpo-jogador no páreo. Como no Ping-Pong, a atenção é capturada pela dinâmica do bater e rebater, que aqui se instaura entre artista, matéria, assunto, espaço e público. Em interação, fazem suas apostas, instauram suas regras e, volta e meia, as transgridem.

Nesse sentido, o jogo, para a artista, funciona como procedimento crítico: operação capaz de converter signos culturalmente estabilizados em experiências ambíguas e perturbadoras, revelando as violências sutis inscritas nos dispositivos de normalização e captura do corpo e do desejo.

O que se compreende, com a partida já em curso, é que tornar o corpo mulher talvez seja a jogada mais arriscada: a grande aposta. Em um território marcado pela intimidade, esse corpo, fragmentado e sempre em formação, é constantemente atravessado por mecanismos de normatização, captura e resistência. Já ao redor do Quarto, impenetrável, aquilo que antes parecia restrito ao espaço privado nos lembra que os jogos de poder contaminam-se e proliferam na esfera social e coletiva.

Essas tensões são visíveis também nos materiais que a artista mobiliza e na maneira como subverte seus usos habituais: da borracha, do bronze e do latão à cera, ao acrílico, às miçangas, às agulhas, lâminas e outros objetos cortantes, cirúrgicos, além do próprio sangue. Suas superfícies sedutoras e reluzentes devolvem ao espectador uma imagem invertida e instável de si mesmo e do entorno. Materiais, corpos, sentidos e posições transformam-se mutuamente ao longo da partida. Entre parceiros e adversários, atração e confronto, cada aproximação revela que a experiência com a obra é sempre também uma experiência de contaminação.

Amanda Tavares, curadora

Serviço
Exposição | Jogos de Contaminação
De 18 de julho a 31 de outubro
Terça a domingo, das 11h às 17h

Período

18 de julho de 2026 11:00 - 31 de outubro de 2026 17:00(GMT-03:00)

Local

Museu Brasileiro da Escultura e Ecologia - MuBE

Rua Alemanha, 221 - Jardim Europa, São Paulo - SP

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