Exposição "A invenção do Paraíso: Gabriela Melzer & Ygor Landarin"
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O que resta de um lugar quando ele é atravessado pela memória? Como a paisagem continua a se transformar quando passa a existir também no campo da imaginação? Essas questões
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O que resta de um lugar quando ele é atravessado pela memória? Como a paisagem continua a se transformar quando passa a existir também no campo da imaginação? Essas questões atravessam A invenção do Paraíso: Gabriela Melzer & Ygor Landarin, exposição que coloca em diálogo, pela primeira vez, os dois artistas nos espaços principais da Galatea Salvador. A abertura acontece durante as celebrações da Independência da Bahia, período em que a cidade revisita sua história e reafirma sua potência cultural.
Tomando a ideia de paraíso como construção simbólica, provisóriae subjetiva, a mostra coloca em diálogo duas pesquisas que investigam as relações entre matéria e transformação. Embora partam de linguagens distintas, Melzer e Landarin compartilham o interesse por elementos do mundo visível, como formações geológicas, organismos marinhos, relevos, arquiteturas e vestígios materiais, que são continuamente reelaborados em suas obras.
Gabriela Melzer dá continuidade à investigação que vem desenvolvendo nos últimos anos em torno da abstração, da cor e da percepção. Em suas pinturas, referências observadas na natureza e na paisagem construída são transformadas em composições marcadas por contornos orgânicos e pela construção de paisagens interiores.
Parte das obras nasce da observação da arquitetura de Salvador e dos desgastes provocados pela ação do clima sobre suas superfícies. Em vez de representação direta, Melzer converte essas referências em estruturas pictóricas nas quais formas orgânicas, campos cromáticos e sistemas lineares coexistem em negociação constante. Linhas sinuosas atravessam áreas de cor organizadas por divisões modulares, produzindo composições que equilibram controle e improvisação, estabilidade e mudança.
Suas pinturas são construídas por meio da sobreposição de sucessivas camadas de tinta, às quais se somam gestos realizados com bastões oleosos que registram movimentos e ritmos sobre a superfície. Em Desenhos (2026), série realizada com bastão de óleo sobre painel telado, Melzer intensifica a presença do desenho e aprofunda uma investigação voltada a aspectos que escapam à observação imediata. Linhas e campos de cor organizam-se em composições que convidam a uma observação prolongada.
Sobre seu processo criativo, Gabriela Melzer declara: “Nas obras, o meu objetivo não é meramente representar o mundo, mas explorar essas brechas — lugares onde o físico e o não físico se tocam, criando uma realidade que sentimos, mas não vemos. Essa é uma busca por abrir espaços que todos podem acessar, mesmo que não estejam claramente delineados. Trata-se de nos permitir sentir além do que estamos acostumados, juntos, e encontrar uma maneira de dar forma ao que normalmente passaria despercebido.”
Já Ygor Landarin apresenta obras que nascem de seu interesse pelos lugares que atravessam sua trajetória e pelos vestígios que permanecem neles. Bordado, escultura e materiais como areia, porcelana fria e cimento aparecem como ferramentas para investigar relações entre matéria, tempo e memória. Em muitos de seus trabalhos, referências arqueológicas, concheiros e sambaquis servem como ponto de partida.
Parte dessa produção foi desenvolvida para a exposição após uma temporada de pesquisa em Salvador, quando Landarin realizou coletas em praias da cidade e ampliou seu contato com referências locais. A obra de Juarez Paraíso torna-se referência central na construção de Paraízo (2026), que reúne areia, conchas, ouriços e pedras. O trabalho transforma esses elementos em uma espécie de cartografia afetiva da cidade, construída a partir de vestígios, deslocamentos e das marcas deixadas pela passagem do tempo na paisagem soteropolitana.
A mostra também marca o início da representação de Ygor Landarin pela Galatea. Em um momento de crescente projeção institucional, o artista integra, em 2026, a exposição 39º Panorama da Arte Brasileira: Depois que tudo foi dito, no Museu de Arte Moderna de São Paulo, e foi indicado ao Prêmio Pipa. Sua produção artística também integra a coleção do Museu de Arte do Rio.
Mesmo partindo de práticas distintas, Melzer e Landarin compartilham interesses estéticos que se cruzam. Na pesquisa artística de ambos, a matéria está sempre em transformação, entre acumulação e modificação ao longo do tempo e dos territórios. O Paraíso, aqui, transita entre o real e o imaginado, não como um lugar idealizado, mas como uma experiência em permanente mudança, onde imagens emergem como resultado de operações que articulam memória, observação e imaginação.
A programação da mostra inclui ainda uma conversa com Camila Yunes Guarita – fundadora da Kura e uma das principais art advisors do Brasil – ao lado de Gabriela Melzer e Ygor Landarin. O encontro será uma oportunidade para conhecer os caminhos que deram origem à exposição, destacando as aproximações entre as pesquisas dos artistas e a maneira como suas experiências em Salvador aparecem nos trabalhos apresentados. A atividade acontece no dia 3 de julho, às 16h30, pouco antes da abertura, no espaço principal da galeria.
Serviço
Exposição | A invenção do Paraíso: Gabriela Melzer & Ygor Landarin
De 03 de julho a 10 de outubro
Terça-feira, Quarta-feira, Quinta-feira, das 10:00h às 19:00h; Sexta, das 10h às 18h, das Sábado, das 11h às 15h
Período
Local
Galeria Galatea Salvador
R. Chile, 22 - Centro, Salvador - BA
