Exposição "Política da superfície"
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A Casa de Cultura do Parque apresenta a exposição “Política da superfície”, de Ana Raylander Mártis dos Anjos, como parte do II Ciclo Expositivo da Casa. Instalada no Gabinete, a mostra tem curadoria de Claudio
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A Casa de Cultura do Parque apresenta a exposição “Política da superfície”, de Ana Raylander Mártis dos Anjos, como parte do II Ciclo Expositivo da Casa. Instalada no Gabinete, a mostra tem curadoria de Claudio Cretti, diretor artístico da Casa, e investiga a influência do maestro Heitor Villa-Lobos na implementação do ensino musical escolar no Brasil.
A artista visual Ana Raylander Mártis dos Anjos (Minas Gerais, 1995) desenvolve projetos a longo prazo com foco em pesquisa. Ela procura estabelecer um diálogo entre a história coletiva e sua biografia, recorrendo com frequência aos saberes da educação e escrita. Após participar da 36ª Bienal de São Paulo e do 59th Carnegie International, na Pensilvânia, EUA, a artista apresenta na Casa de Cultura do Parque um novo desdobramento de sua investigação sobre os cantos orfeônicos, prática coral amplamente difundida no Brasil ao longo do século 20.
Ao tomar como ponto de partida a atuação de Heitor Villa-Lobos na implementação do ensino musical escolar durante a Era Vargas, a exposição recupera um momento em que a música foi incorporada como ferramenta de promoção da ideologia nacionalista do regime vigente. Os cantos orfeônicos — realizados em escolas, praças e estádios — reuniam grandes grupos sob regência unificada, compondo uma massa sonora que participava da construção simbólica de uma identidade nacional.
“Neste período, a ideia de Brasil emergia como um mito de unidade, sustentado pela promessa de uma voz coletiva que, ao mesmo tempo em que incluía grupos, também acabava por suprimir aquilo que desviava”, reflete a artista. Em “Política da superfície”, ela utiliza o rodapé do Gabinete como um operador semelhante, em diálogo com a localização da instituição, às margens do Parque Villa-Lobos. Situado entre a parede e o chão, esse elemento arquitetônico ocupa uma região limiar: embora associado ao acabamento do espaço doméstico, também atua como uma tecnologia discreta de normalização, capaz de mascarar irregularidades e produzir continuidade onde há fraturas — um tipo de verniz social, como aponta Raylander.
Em “Política da Superfície”, a artista retoma o seu interesse pelos cantos orfeônicos e corais amadores, iniciado com o projeto Coral de Choros [Choratório] em 2018, para aprofundar a pesquisa sobre as contradições que atravessam a educação musical brasileira, a construção da ideia de povo e as narrativas de brasilidade cristalizadas no imaginário da nação. “Procuro observar com precisão aquilo que permanece junto ao chão, aquilo que se acumula nas bordas, as evidências que a história empurra para a porção mais rasteira do estrato social. Talvez seja justamente nessa região inferior, vizinha ao rodapé, onde as promessas de unidade começam a mostrar suas fissuras”, completa Raylander. Neste contexto, o silêncio assume um papel central para a artista no projeto, onde deixa de ser ausência de som e opera como um campo político.
Além da individual de Raylander, o II Ciclo Expositivo inclui a mostra coletiva “Rajada encarnada” (Galeria do Parque) e a individual “Mitologias do mistério”, de Omep (Projeto 280X1020). Para o curador Claudio Cretti, “este ciclo propõe tensionar as dimensões constitutivas da prática artística contemporânea, ampliando as possibilidades de leitura do mundo e evidenciando, nessas fricções, a potência da oposição”.
Ainda no dia 25 de julho, o programa de Performances da Casa apresenta “O amor é floresta”, uma performance instalativa de Rodrigo Munhoz a.k.a. Amor Experimental em que plantas urbanas, conectadas a captadores, convertem o toque em som.
O II Ciclo Expositivo é uma idealização do Instituto de Cultura Contemporânea (ICCo) e foi realizado com recursos da Lei Rouanet, Ministério da Cultura, com patrocínio do banco BV, Laranjinha e Banco Itaú, apoio de Casal Garcia e Interfood e apoio de mídia de Catraca Livre.
Serviço
Exposição | Política da superfície
De 25 de julho a 25 de outubro
Quarta a domingo, das 11h às 18h
Período
Local
Casa de Cultura do Parque
Av. Prof. Fonseca Rodrigues, 1300 - Alto de Pinheiros, São Paulo - SP, 05461-010
