Exposição "As cascas da lua (cadouços para Cida)"
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A Quadra apresenta As cascas da lua (cadouços para Cida), terceira exposição individual de Matheus Chiaratti na galeria, com curadoria de Luis Pérez-Oramas.
Reunindo um conjunto inédito de pinturas, esculturas, fotografias e trabalhos têxteis, a mostra amplia questões que atravessam a pesquisa do artista, marcada pela aproximação entre literatura, memória e história da arte. Em sua prática, narrativas íntimas e referências culturais são constantemente rearticuladas para dar forma a imagens que habitam uma zona ambígua entre documento e ficção, desejo e recordação.
As cascas da lua (cadouços para Cida) também marca a terceira interação de uma colaboração entre Chiaratti e Pérez-Oramas, iniciada em 2021 no podcast do artista, o Pivote, e que deu lugar, em 2022, à publicação do livro “Balada para Joey Stefano”, poema inédito de Pérez-Oramas acompanhado de intervenções plásticas e desenhos de Chiaratti, (São Paulo: Quadra/Ikrek, 2022). As cascas da lua terá continuidade em um segundo projeto expositivo a ser realizado na Galería Carmen Araujo, em Caracas, Venezuela. O encontro entre artista e curador encontra ressonância em um interesse compartilhado por formas de imaginação poética capazes de tensionar as fronteiras entre memória, imagem e narrativa.
A exposição constrói um universo atravessado por relações entre natureza, erotismo, tragédia, arqueologia afetiva, infância e poesia. O título surge de um encontro inesperado entre uma fotografia da tia-avó do artista, Cida, e a figura de Marilyn Monroe — associação que desencadeia uma investigação sobre herança, projeção e imaginação. A partir desse gesto, personagens familiares, objetos remanescentes e lembranças fragmentárias tornam-se pontos de partida para a elaboração de novas narrativas visuais.
Entre os trabalhos apresentados, destacam-se as pinturas da série Cadouço — palavra arcaica portuguesa que pode ser entendida como esconderijo. Organizadas como fragmentos de um diário visual, as obras articulam retratos, paisagens, elementos vegetais, textos e imagens encontradas em composições que operam como percursos de memória e desejo. As telas funcionam como espaços de condensação narrativa, onde diferentes tempos, personagens e referências coexistem em permanente deslocamento.
A exposição também incorpora esculturas e instalações construídas a partir de objetos herdados e materiais domésticos. Tecidos e roupas são refeitos por meio de procedimentos que envolvem recorte, multiplicação e ressignificação de vestígios familiares que, ao serem reconfigurados pelo artista, passam a operar simultaneamente como documentos afetivos e construções ficcionais. Nesses trabalhos, o ambiente da casa surge como espaço de transmissão, ausência e fabulação, onde memórias íntimas encontram ressonâncias coletivas.
As fotografias que atravessam a mostra reforçam essa atmosfera de suspensão. Jardins, interiores e objetos cotidianos aparecem como imagens de um tempo impreciso, situadas entre lembrança, sonho e aparição. Mais do que ilustrar narrativas, elas ampliam o campo sensível da exposição, propondo uma experiência marcada pela convivência entre o íntimo e o enigmático. Ao reunir diferentes meios e temporalidades, As cascas da lua evidencia um dos aspectos centrais da pesquisa de Matheus Chiaratti: a capacidade de transformar fragmentos de vida em construções poéticas abertas, nas quais memória, desejo e imaginação permanecem em constante negociação.
Serviço
Exposição | As cascas da lua (cadouços para Cida)
De 27 de junho a 15 de agosto
Terça a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 11h às 16h
Período
Local
Quadra
Rua Barão de Tatuí, 521, São Paulo - SP
