Exposição "Geologia da Forma: obras dos anos 90", de Germana Monte-Mór
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A Galeria Leme apresenta “Geologia da Forma: obras dos anos 90“, exposição dedicada a um conjunto de pinturas e desenhos de Germana Monte-Mór realizados ao longo da década de 1990,
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A Galeria Leme apresenta “Geologia da Forma: obras dos anos 90“, exposição dedicada a um conjunto de pinturas e desenhos de Germana Monte-Mór realizados ao longo da década de 1990, reunindo 21 pinturas sobre tecido e 15 desenhos sobre papel. Produzidas com asfalto sobre suportes diversos, como lona de algodão, papel-manteiga, papel de arroz e papel de seda, as obras revelam um momento decisivo da trajetória da artista, em que a investigação da matéria, da forma e das relações entre figura e fundo ganha uma formulação singular.
O conjunto, até então inédito, já motivou reflexões de importantes críticos brasileiros, entre eles Lorenzo Mammì, Rodrigo Naves, Paulo Sérgio Duarte, e Nuno Ramos, e agora é revisitado com um texto crítico de Diego Matos. Os trabalhos refletem um capítulo fundamental da pesquisa de Monte-Mór, abordando questões que permanecem presentes em sua produção recente. A exposição destaca a matéria como agente ativo da construção das imagens; em muitas das obras, ocorre uma inversão das funções tradicionalmente atribuídas aos elementos da pintura — em vez do suporte sustentar a matéria, é a massa densa do asfalto que parece sustentar o papel ou o tecido.
Durante os anos 1990, Germana Monte-Mór experimentou com as possibilidades plásticas do asfalto, explorando as tensões entre peso e leveza, opacidade e transparência, permanência e transformação. Aplicado sobre superfícies delicadas e porosas, o material adquire comportamentos inesperados: dilui-se, infiltra-se, acumula-se e solidifica-se, produzindo formas que parecem emergir organicamente dos suportes. Nas pinturas, a densidade mineral contrasta com a trama têxtil, criando oscilações entre presença e desaparecimento. As formas evocam relevos, linhas de horizonte, cadeias montanhosas ou territórios em lenta transformação, como se estivessem submetidas a processos geológicos de decomposição e recomposição contínuas. Suas telas recusam qualquer referência estável, permanecendo suspensas entre abstração e sugestão figurativa.
Os desenhos sobre papel aprofundam essa investigação — a matéria se espalha por superfícies frágeis, revelando tanto sua potência expansiva quanto a capilaridade dos suportes. As formas parecem nascer de dentro para fora, como registros de um movimento anterior à representação. Em alguns trabalhos, aproximam-se de corpos ou silhuetas; em outros, dissolvem-se em manchas e limites imprecisos, examinando as condições de surgimento da própria forma.
A mostra constrói um vocabulário visual marcado por oposições constantes: preto e branco, cheio e vazio, proximidade e distância, densidade e transparência. Para além de um recorte histórico, o conjunto revela a permanência da questão que segue estruturando a obra de Germana Monte-Mór: a relação entre forma e matéria.
Serviço
Exposição | Geologia da Forma: obras dos anos 90
De 25 de junho a 21 de agosto
Segunda a sexta, das 9h às 18h
Período
Local
Galeria Leme
Av. Valdemar Ferreira, 130 - São Paulo - SP
