A ideia de que as mulheres são naturalmente multitarefas é um mito sem base científica. No imaginário coletivo, porém, a figura feminina ainda é frequentemente reduzida ao arquétipo da “mulher
A ideia de que as mulheres são naturalmente multitarefas é um mito sem base científica. No imaginário coletivo, porém, a figura feminina ainda é frequentemente reduzida ao arquétipo da “mulher guerreira” ou da “heroína invencível”. Esse estereótipo gera cobranças excessivas: muitas mulheres sentem-se pressionadas a equilibrar carreira, vida pessoal, cuidados com a aparência e, frequentemente, a maternidade.
A exposição “apesar de“, que ocupa o Ateliê Casa Um, propõe uma ruptura com essa narrativa. Em celebração ao Mês da Mulher, a mostra apresenta o feminino não como um esforço épico de batalha, mas como a potência silenciosa da permanência.
A mostra reúne as artistas Ani Cuenca, Cátia Goffinet, Andréa Derani, Francine Jubran e Suely Bogochvol. Juntas, elas apresentam cerca de 30 obras que exploram o que continua existindo quando as estruturas — sejam elas físicas, emocionais ou sociais — já não estão mais inteiras.
Uma das teóricas feministas mais importantes de sua geração, Bell Hooks, lembra em seu livro Tudo Sobre o Amor que o afeto genuíno exige vulnerabilidade. Para ela, amar é um ato de coragem porque implica reconhecer que precisamos do outro. Ao contrário do que dita o senso comum, a força não está em suportar tudo isoladamente, mas em permitir-se sentir, cair e ser cuidada.
Diferente do conceito de “feminino heróico”, que muitas vezes romantiza a sobrecarga e o sacrifício, a “resistência feminina” apresentada na mostra foca no trabalho contínuo de sustentar a vida. É a resistência do intervalo: o estado em que algo persiste apesar da falha, do desgaste e da instabilidade.
“A mostra amplia o sentido político e poético ao apresentar o feminino como força de permanência. Não se trata de uma resistência heróica, mas de um trabalho contínuo de sustentação, reinvenção e reorganização da existência”, afirma Andrea Derani, uma das artistas do coletivo.
A proposta central de “apesar de” é investigar o “pós-rompimento”. Partindo da premissa de que nada se quebra de forma absoluta, as artistas utilizam diferentes linguagens da arte contemporânea para mostrar como corpos, vínculos e afetos se reconstroem nos espaços de desgaste.
A escolha do Ateliê Casa Um para sediar a mostra não é casual, pois o espaço foi idealizado e criado pela artista Viviana Ximenes. O ateliê funciona como um polo colaborativo voltado a encontros, oficinas e desenvolvimento de projetos artísticos, reforçando o caráter coletivo da proposta.
Serviço
Exposição | apesar de
De 18 a 28 de março
Terça a Sexta – 14h às 18h
Ateliê Casa Um
Rua José Maria Lisboa, 873 – casa 01, Jardim Paulista - São Paulo - SP