Exposição "É pau, é pedra...", de Sérgio Camargo
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A Galeria Raquel Arnaud em parceria com o Metrópoles apresenta a mostra “É pau, é pedra…“, dedicada ao artista Sergio Camargo, um dos nomes fundamentais da arte contemporânea brasileira. Com
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A Galeria Raquel Arnaud em parceria com o Metrópoles apresenta a mostra “É pau, é pedra…“, dedicada ao artista Sergio Camargo, um dos nomes fundamentais da arte contemporânea brasileira. Com curadoria de Marcello Dantas, a exposição reúne um conjunto de obras que evidenciam a linguagem singular desenvolvida por Camargo ao longo de sua trajetória, marcada por rigor formal, economia da forma e uma relação profunda com a luz.
A mostra propõe um percurso através de relevos, estruturas cilíndricas e composições que sintetizam a pesquisa do artista sobre a incidência, sombra e vazio. Seus trabalhos não descrevem objetos, mas acontecimentos luminosos, modos como a luz toca, o vazio pesa e a matéria se organiza em constelações. “O artista plástico pensa pelos olhos… tudo se revela através da obra”, afirmou Sérgio Camargo, sintetizando a centralidade da visão em seu processo criativo.
Na exposição “É pau, é pedra…”, os relevos e blocos cilíndricos operam como um vocabulário essencial. O cilindro, forma que Camargo transforma em fonema, estabelece um alfabeto mínimo para todas as possibilidades da luz. Entre superfícies contínuas e intervalos precisos, a obra organiza ritmos que se articulam entre ordem e organicidade, reafirmando uma ética da clareza que marca sua produção.
A exposição destaca ainda a afinidade do artista com o espírito modernista de Brasília, cujas estruturas geométricas tiveram impacto direto em sua poética. Assim como Niemeyer, Lúcio Costa e Athos Bulcão articularam uma arquitetura luminosa para a capital, Camargo desenvolve, em seus relevos, uma arquitetura da visão, fundada na relação entre forma essencial e incidência luminosa. Trata-se de um encontro entre arquiteturas: a do espaço urbano e a do olhar.
Embora a mostra enfatize esse conjunto de obras, ela reinsere o artista em uma tradição mais ampla, que remonta à linhagem geométrica e cinética latino-americana, marcada pela persistência de padrões, tessituras e cortes que atravessaram séculos para ressoar no modernismo e nas investigações contemporâneas. É nesse contexto que Camargo constrói um pensamento escultórico próprio, cuja precisão e sobriedade fazem do mínimo o máximo.
Camargo pertence à geração que acreditou radicalmente no futuro brasileiro, quando artes visuais, arquitetura, música e literatura constituíram um campo criativo singular. Sua obra, para além da beleza dos relevos e volumes, institui uma pedagogia do olhar: aprender a ver o essencial, o rigor do corte, a inteligência da mão, a sutileza da luz. “É pau, é pedra…” reativa a relevância do artista no presente ao lembrar que, em um tempo saturado de imagens, menos não é ausência, é precisão.
Ao final do percurso, a exposição convida o visitante a reencontrar a matéria como origem: um estado em que forma, luz e tempo se entrelaçam em silêncio.
Serviço
Exposição | É pau, é pedra…
De 11 de dezembro a 06 de março
Segunda à sexta, das 10h às 20h, sábado e domingo, das 10h às 18h
Período
Local
Complexo do Teatro Nacional Cláudio Santoro
Foyer do Teatro Nacional Claudio Santoro, SCTS - Brasília, DF
