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BIENAIS BIENALSUR

















             MUSEO DEL FIN DEL MUNDO, EM TIERRA DEL FUEGO; MUSEO DE LA UNIVERSIDAD NACIONAL DE TUCUMÁN (“DR. JUAN B. TERÁN”); VISTA
             DA EXPOSIÇÃO RECUPEREMOS LA IMAGINACIÓN PARA CAMBIAR LA HISTORIA, NO CENTRO DE EXPRESIONES CONTEMPORÁNEAS DE ROSARIO;



             A SEGUNDA EDIÇÃO DA BIENALSUR, que tem            é profundamente simbólica, “pois permite avançar no
             como proposta se expandir para diversas cidades do   desenho de novas rotas artísticas possíveis, reconfigurar
             mundo, teve a sua inauguração na Argentina nos dias   a cartografia existente e apontar novas formas inéditas,
             19 e 20 de maio, especificamente em duas cidades   simultâneas, fronteiras, capazes de expandir seus pró-
             da ilha de Tierra del Fuego, Ushuaia e Rio Grande.   prios limites”.
             Além das exposições e outras atividades nas cida-  A abertura, em Ushuaia, contou com a ação dos artis-
             des-sede, a bienal terá simultaneamente, em 20 paí-  tas Voluspa Jarpa (Chile), Magdalena Jitrik (Argen-
             ses, mais de 100 mostras vinculadas ao evento, que   tina), Christian Boltanski (França) e Mariana Telleria
             incluirão 400 artistas do mundo todo até novembro.   (Argentina). A instalação, intitulada Banderas del fin
             O projeto vê a cultura como um veículo para a integração   del mundo, é uma alusão ao apelido dado à cidade, “a
             entre os países. Para conectar todos os seus espaços,   cidade do fim do mundo”, por se encontrar ao extremo
             propõe uma cartografia inédita, que elimina fronteiras   sul do globo terrestre. Nessa coletiva, os artistas desen-
             e convive com artistas, entre o local e o global.  volveram bandeiras que acompanham o projeto Draw
             Simbolicamente coloca o MUNTREF Hotel de Imigrantes,   me a flag, formulado por Boltanski para a Fundação
             no porto de Buenos Aires, como quilômetro zero e, de   Cartier, em Paris. Acompanha a instalação um projeto
             lá, cada outra sede participando é categorizada com   musical da OIANT (Orquesta de instrumentos autóctonos
             um número de quilômetros que estabelece as bases   y nuevas tecnologías de UNTREF). Na ocasião, Jozami
             dessa geografia única, e que este ano chega à cidade   declarou que a BIENALSUR “nasceu para mudar as
             de Tóquio, no Japão, batizada com o KM 18.370.    correntes centrais da cultura, para influenciá-las com
             Assim, a bienal é organizada e implementada no terri-  o pensamento do Sul”.
             tório através de exposições que caem em seis grandes   Também entre as atividades iniciais, no Museo Fueguino
             eixos curatoriais e dá coerência e significado para todo   de Arte —  Centro Cultural Yaganes —, na cidade de Rio
             o seu mapeamento: Sexo, Trânsitos e Migração, Arte e   Grande, aconteceram três exposições: duas individuais —
             do Espaço público, Formas de ver, Memórias e esqueci-  El agua que apagó el fuego, de Gustavo Groh, e Dos, tres,
             mentos, Arte e ciência/Arte e natureza, o que ajudará   muchas, de Esteban Álvarez, ambos argentinos —  e uma
             o espectador a desenhar seu próprio circuito com base   coletiva —  Paisajes entre paisajes. Na coletiva, formada
             em seus interesses.                               apenas por obras de artistas mulheres, destaque para a
             Para Aníbal Jozami, diretor geral da BIENALSUR e reitor   participação de três brasileiras: Berna Reale, Lia Chaia e
             da Universidade Nacional de Tres de Febrero (UNTREF),   Dora Longo Bahia, além de Carla Zaccagnini, argentina
             nesta edição a escolha da província para sediar a inaugu-  radicada no Brasil. Paisajes entre paisaje mostra “como a
             ração foi importante por estar “no Sul do Sul”. Com isso,   paisagem é um tópico que estimulou viagens e fantasias;
             Jozami quer sublinhar algo a mais do que apenas uma   como chamou a atenção de cientistas, escritores e artistas
             realidade geográfica. O projeto defende olhar o mundo   visuais ao longo da história e como isso dá a possibilidade
             a partir de uma nova perspectiva global, que se opõe   de capturar a imensidão da natureza”.
             às tradicionais eurocênctricas — ou do “Norte”. Diana   Em Tucumán, ao noroeste argentino, entre o Chile,
             Wechsler, curadora e diretora artístico-acadêmica da   a Bolívia e o Paraguai, três instituições da província
             BIENALSUR, explica que a escolha da Tierra del Fuego   sediam exposições, ações, intervenções e palestras:


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