Exposição "Entrelinhas"

seg11mar(mar 11)11:00sex03mai(mai 3)18:00Exposição "Entrelinhas"Primeira individual da artista Valéria Costa Pinto na com curadoria de Luiza Interlenghi.Gaby Indio da Costa – Arte Contemporânea, Estrada da Gávea, 712, São Conrado, Rio de Janeiro - RJ

Detalhes

Nos trabalhos recentes (2023-2024), aqui reunidos, a matriz construtiva histórica é desafiada pelo jogo lúdico de intervenções gráficas: ondas, arcos, elipses e círculos, que disputam o plano flexível e sanfonado do papel. Sobrepostos a estes relevos angulares, cada esquema geométrico é afetado por modulações da dobra, tais como a compressão, a distensão ou a curva. O círculo se expande em elipse, o arco aberto se comprime, o retângulo fecha em quadrado. Por vezes, essa geometria dobrada sugere a continuidade da linha no vazio, por outras esboça o movimento onde não há. Ao ocultar e desvelar o outro lado da dobra, entre fendas e pequenos cumes, a artista desafia a condição planar, na interseção entre desenho, pintura e relevo.

Desde a primeira individual, “Catafractas” (Gal. Millan, 1991), em que sua singular geometria da dobra se expandiu na arquitetura (paredes, corredores, chão) sua investigação do espaço nas grandes escalas está associada à experiência de dinamismo e movimento – pilares construtivos. Entretanto, aqui se trata de mobilidade e fluidez lúdicas e marcadas pelo fazer artesanal, assim como por certo desalinho que enraíza a forma no mundo. Na década de 90, na mostra “Leitmotif” (1994), na Casa França-Brasil, uma rugosa fita de Moebius flutua no vão central da arquitetura neoclássica. Já em Popcreto (1994), a artista ergue um quase-plano retangular, de geometria vazada, formado por espaçadas hastes de papel. Estas estratégias simples, em parte mantidas nos trabalhos apresentados em Entrelinhas, desestabilizam a forma: a variação serial gera um movimento interno e as frestas absorvem, em fatias, a instabilidade do mundo. O desalinhado das dobras remete, a cada instante, ao provisório, já instaurado na própria matéria da escultura de papel. O desafio à suposta fragilidade do papel, subjacente à poética da artista, também foi radicalizado com a monumental e flutuante Biruta, na Culturgest em Lisboa (1997).

Em sua extensa e sólida trajetória, Valéria Costa Pinto conduz a uma experiência da instabilidade da percepção e desafia as certezas do olhar. Partindo de jogos espaciais aparentemente simples com elementos que fundam a visualidade – linha, forma, plano e cor –, caros aos movimentos construtivos no Brasil, discute a natureza mutável e complexa do visível. Com investimento do corpo e a manipulação do papel, contribui para desviar, fletir, comprimir e distender as operações do cálculo exato e as certezas estanques quanto à forma no espaço. Convida, portanto, para a aventura do olhar ativo e movente que historicamente pautou o debate sobre a fenomenologia da percepção. Longe do funcionalismo construtivo histórico, compartilha a libertária inquietude decorrente da experiência sensível da dobra e do vazio, tomados como elementos constituintes de uma outra geometria do visível.

Luiza Interlenghi – Março, 2024

Serviço
Exposição | Entrelinhas
De 11 de março a 03 de maio
Segunda a sexta, das 11h às 18h ou sob agendamento

Período

11 de março de 2024 11:00 - 3 de maio de 2024 18:00(GMT-03:00)

Local

Gaby Indio da Costa – Arte Contemporânea

Estrada da Gávea, 712, São Conrado, Rio de Janeiro - RJ

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