Exposição "Constelação Celestina"

sex06out10:30sab06abr20:30Exposição "Constelação Celestina"Na mostra, o público poderá apreciar alguns registros da trajetória desse artista notável por transitar entre o artístico e o documentário investigativo.Sesc 14 Bis, Rua Dr. Plínio Barreto 285, Bela Vista, São Paulo - SP

Detalhes

Paulistano da zona leste, Wagner Celestino nasceu em 1952, e aos sete anos de idade, no auge do Carnaval da Vila Esperança, um dos festejos de rua mais populares da região, encantou-se pelos desfiles da Nenê de Vila Matilde. A partir daquele momento, seu olhar voltou-se para os desfiles de escolas de samba da cidade, como Vai-Vai, Camisa Verde e Branco, Mocidade Alegre, Rosas de Ouro, Peruche e outras agremiações. Da Ala das Baianas à Velha Guarda, o pequeno folião aprimorou um talento: registrar em fotografia e ser o guardião de imagens que aprenderia a captar para preservar a história de protagonistas e manifestações da cultura popular afro-brasileira.

Fotógrafo autodidata, Celestino desenvolveu aptidões necessárias para a revelação e ampliação de imagens, mas, principalmente, para a descoberta sobre a sua própria linguagem estética. Ao fazer um estágio no Museu Lasar Segall, na segunda metade da década de 1970, ele teve a oportunidade de usar o laboratório do espaço, o que lhe deu confiança e autonomia para se lançar no ofício. Aliás, também foi nesse ambiente que as obras expressionistas de Lasar Segall (1889-1957), artista lituano radicado no Brasil, inspiraram o olhar de Celestino, assim como a fotografia do brasileiro Walter Firmo e do estadunidense Gordon Parks (1912-2006). Somam-se, ainda, o fotojornalismo do Jornal da Tarde e da Revista Realidade. De lá para cá, a câmera analógica de Celestino vem focando diferentes manifestações culturais afro-brasileiras em comunidades da capital e do interior de São Paulo.

Na exposição Constelação Celestina – primeira exibição solo do artista –, que marca o início das atividades do Sesc 14 Bis [Leia mais em Estrelas urbanas], o público poderá apreciar alguns registros da trajetória desse artista notável por transitar entre o artístico e o documentário investigativo. Com curadoria de Claudinei Roberto, a exposição reúne obras que percorrem décadas de atuação de Celestino, propondo um passeio por grandes projetos organizados pelo fotógrafo. Um desses exemplos é o conjunto de imagens feitas no final da década de 1980 sobre a vida nos cortiços da cidade, resultando no livro Os Cortiços – A realidade que ninguém vê, com prefácio de dom Paulo Evaristo Arns (1921-2016). “Nessa ocasião, Celestino fez uma série de fotos do que eu chamo de ‘madonas negras’. São mães e seus filhos, que ele fez com uma sensibilidade muito aflorada e conseguiu trazer à tona a dignidade e a inteireza dessas famílias. Isso porque ele conhece a realidade que fotografa, ele participa dela, é um membro da comunidade que fotografa, por isso a gente percebe essa densidade política nessas fotos”, analisa Roberto.

Nas palavras do próprio fotógrafo, “atrás do visor da câmera existe uma pessoa com sua formação intelectual própria, com seus conhecimentos e posicionamentos ideológicos e culturais, consequentemente, estes ideais se refletem no fazer e ações fotográficas”. Ao que Celestino complementa: “espero que o meu trabalho fotográfico possa contribuir concreta e positivamente nesta luta constante contra o racismo e para ressaltar a relevância da nossa cultura popular afro-brasileira”.

Serviço
Exposição | Constelação Celestina
De 6 de outubro de 2023 a 7 de abril de 2024
Terça a sábado, das 10h30 às 20h30. Domingos e feriados, das 10h30 às 18h30. GRÁTIS

Período

Outubro 6 (Sexta) 10:30 - Abril 6 (Sábado) 20:30(GMT-03:00)

Local

Sesc 14 Bis

Rua Dr. Plínio Barreto 285, Bela Vista, São Paulo - SP