rejuvenesça! uma mostra manifesto
18:00 26 de outubro de 2018 to 18:49 31 de dezembro de 2018
A Casa do Povo, Rua Três Rios, 252 - Bom Retiro, São Paulo - SP Como chegar
“rejuvenesça!” é uma mostra-manifesto, organizada por artistas, movida pela urgência de uma resposta a um momento extremamente grave em curso no Brasil. Assistimos, nos últimos dois anos, a uma sequência de rupturas democráticas e à consequente instalação no país de um estado de exceção, acarretando retrocessos nos direitos civis, sociais e trabalhistas; assistimos ao cerceamento dos direitos humanos, com a intensificação do genocídio da juventude negra, da comunidade LGBT, dos indígenas e dos quilombolas. O assassinato da vereadora carioca Marielle Franco, em março deste ano, veio no esteio de inúmeras mortes de líderes de movimentos sociais na cidade e no campo. O candidato mais votado no primeiro turno das eleições presidenciais incorpora um discurso fascista, cuja principal bandeira é recobrar um dos momentos mais sombrios de nossa história: a ditadura civil-militar brasileira (1964-1985). Enquanto isso, um dos maiores líderes populares da América Latina segue preso, após um processo judicial de viés político A atual edição da Bienal de São Paulo, assim como diversas instituições e galerias de arte, procurou manter-se neutra diante da barbárie, comportando-se como se nada acontecesse à sua volta. Em contraposição a essa cínica indiferença, nós, artistas que aqui nos apresentamos, criamos uma mostra que contou com a solidariedade da Casa do Povo, espaço democrático que entende a arte como ferramenta crítica dentro de um processo de transformação social. “rejuvenesça!” é a frase final do labirinto de um poema de Ferreira Gullar. Um poema encarnado numa instalação em parceria com Hélio Oiticica, em que um módulo arquitetônico cúbico foi construído para ser penetrado, dentro do qual o visitante encontraria outro cubo, a ser removido para encontrar dentro um outro cubo, que retirado daria em outro cubo, e outro, e assim por diante, até que a remoção do último cubo revelaria a frase escrita num papel. Partimos do avesso, agarrados ao percurso, vasculhando entre sucessivas ruínas, para recobrar algum indício de início.

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