Nunca: Meide in Brazil
11:00 29 de junho de 2019 to 17:00 27 de julho de 2019
Galeria Kogan Amaro, Alameda Franca, 1054 Jardim Paulista, São Paulo, SP Como chegar
A primeira mostra individual no Brasil do artista Francisco Rodrigues da Silva, conhecido mundo afora por seu pseudônimo Nunca, poderá ser vista na unidade brasileira da Galeria Kogan Amaro, de 29 de junho a 27 de julho, após dezenas de exposições pelo globo. O paulistano de 36 anos é dos mais proeminentes nomes da cena do grafite internacional e dono de um estilo extremamente reconhecível, que já deixa discípulos nas ruas e nas telas. "Meide in Brazil" reúne pinturas que fazem alusão à litogravura, técnica de impressão em metal usada desde 1500 pelos colonizadores, para retratar índios, costumes, fauna e flora do país. Tal referência une-se à transgressão da linguagem praticada por Nunca, uma crítica à realidade globalizada e hiperconectada que segue marginalizando suas origens. "Faço da minha arte uma forma de questionar o que nós, como povo, estamos criando e cultivando culturalmente, do que é legitimamente brasileiro e do que é verdade ou mentira do ponto de vista histórico da nossa nação", afirma o artista. Para a curadora Ana Carolina Ralston, o recurso aproxima o espectador das origens street do artista: "De perto, as ranhuras seguem paralelas, parecendo sulcos cravados em muros. Vistas em perspectiva, formam expressões, cicatrizes, delimitam o espaço e configuram o vasto universo criativo de Nunca". Não à toa, as figuras criadas por ele carregam a pátria de forma muito particular; do título da exposição às composições críticas, que se usam de logomarcas e produtos estrangeiros – uma forma de explicitar, segundo o artista, a desvalorização da nossa cultura. Feitos com spray ou tinta acrílica, personagens excluídos pela sociedade são protagonistas na obra de Nunca. Sobretudo os indígenas, como retratou em 2008, na fachada da Tate Modern, em Londres – feito inédito na história da galeria, o uso do muro como suporte de exibição –, e, neste ano, nas paredes externas do novo Museu de Arte do Condado de Los Angeles, o LACMA, ainda em construção. A mistura de referências multiculturais, tal qual uma antropofagia revisitada, é tão peculiar a Nunca quanto o viés transgressor que mora em seu nome artístico: "Adotei-o quando entendi a impossibilidade de se expressar pela cidade apenas por meio da arte. Enquanto isso, as propagandas de cigarros e bebidas alcoólicas é que são autorizadas. A ideologia de consumo nos é empurrada goela abaixo a todo o momento. 'Nunca' veio como uma negação a toda essa negação da nossa liberdade", explica. O olhar para essa consumação desenfreada aparece em Brinde, tela que compõe a mostra e foi iniciada pelo artista há dez anos, em 2009, quando, após retornar de Miami, participou do primeiro time a colorir murais de Wynwood Walls. Neles, pintou um indígena arremessando um tênis em dois consumidores, ambos afogados sob objetos adquiridos com frequência hoje nos grandes centros. "Vivemos um processo de neocolonização, em que marcas e produtos são os agentes de formação cultural do país", afirma. É habitual esse elo entre seus diferentes formatos de produção. "Está tudo ligado, as obras, os murais, nós e nossos antepassados."

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