Carlos Vergara: Prospectiva
14:00 14 de setembro de 2019 to 18:00 12 de janeiro de 2020
Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio), Av. Infante Dom Henrique, 85 - Parque do Flamengo, Rio de Janeiro - RJ Como chegar
O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro apresenta a partir de 14 de setembro de 2019 em seu Espaço Monumental a exposição “Carlos Vergara – Prospectiva”, que percorre a produção do celebrado artista, desde 2003 até obras recentes e inéditas, como as pinturas em grande formato – as maiores já realizadas por ele – a partir de monotipias feitas no Cais do Valongo e nos trilhos do bonde em Santa Teresa, bairro carioca onde mantém seu ateliê, no Rio de Janeiro. Outros destaques da exposição são as novas obras da série “Sudário”, com monotipias colhidas em sua viagem ao sul da França em maio último, quando percorreu o caminho do sagrado feminino, que teria sido trilhado pelas Três Marias – Maria Madalena, Maria Jacobé (ou Jacobina, mãe de Tiago), e Maria Salomé – e Santa Sara, a escrava egípcia que se tornou padroeira dos ciganos, em fuga dos romanos. A curadoria da exposição é de Carlos Vergara. Um dos grandes nomes da arte brasileira, Carlos Vergara nasceu em 1941 em Santa Maria, Rio Grande do Sul, e é radicado no Rio de Janeiro desde a adolescência. Sua última individual no MAM Rio foi “A Dimensão Gráfica”, há dez anos. Carlos Vergara explica o título da exposição: "Minha ideia é olhar pra frente, viver o presente e propor através do trabalho, e do encontro com o público, novas possibilidades e perspectivas”. São quatro os grandes conjuntos de obras na exposição: “Sudários”, “Natureza Inventada”, “Prospectiva” e “Empilhamento”. A mostra será acompanhada de uma série de ações, tanto encontros e conversas, como expandidas para fora do Museu, com intervenções dos artistas Lynn Court e Xadalu. Os “Sudários” são monotipias realizadas desde 2003, quando o artista iniciou seu trabalho sobre os sinais do sagrado nos Sete Povos das Missões, no Rio Grande do Sul, até o momento, com obras inéditas produzidas a partir de uma viagem feita no sul da França, onde percorreu santuários dedicados ao sagrado feminino, que remontam aos primeiros cristãos e também aos povos ciganos. Ao longo deste período, este trabalho levou o artista a diversos locais, como Istambul e Capadócia, na Turquia (2006-2008); Pompeia, Itália (2009); Serra da Bodoquena, Mato Grosso do Sul (2017); Caminho de Santiago de Compostela, Espanha (2015); Cazaquistão, na Eurásia (2010); e Rio Douro, Portugal (2018). Os 200 lenços da série “Sudário” estarão suspensos, dispostos em um percurso labiríntico para o público. Carlos Vergara destaca que seu trabalho “não é um projeto cristão ou antropológico”. “Esses lugares todos têm sinais do inefável, do sagrado. Não estou atrás de religião. São caminhos do sagrado, sinais do sagrado”, afirma o artista. No núcleo “Natureza Inventada”, estarão dez esculturas em aço cortén e duas pinturas com 3m x 6m e 2m x 6m, em torno de uma grande mesa escultórica, também em aço, com 12 cadeiras criadas pelo artista e designer Zanini de Zanine. Esse será um espaço de encontros a ser ativado em conjunto com o público, a partir de ações e conversas abertas. A série que dá nome à exposição, “Prospectiva”, é composta por três pinturas recentes e inéditas de grande formato, as maiores já feitas por Vergara – 5,40m x 5,40m cada – a partir de monotipias feitas no Cais do Valongo, e nos trilhos de Santa Teresa, onde tem seu ateliê. O Sítio Arqueológico Cais do Valongo, na antiga área portuária do Rio de Janeiro, é reconhecido pela Unesco por sua importância histórica, por ser o local onde cerca de 900 mil africanos escravizados chegaram à América do Sul. Carlos Vergara fala da importância do bonde, dos caminhos, das encruzilhadas: “Trilhos indicam sempre uma dupla ação: trazer ou levar. No Rio Grande do Sul visitei Restinga Seca, onde nasceu Iberê Camargo (1914-1994), cujo pai era motorneiro de trem. Fiz então uma monotipia no trilho que o levou ao mundo. A imagem dos trilhos sempre é eloquente pra mim. Em 1950 visitei a Bienal de São Paulo de bonde. Ia muito de bonde do Jóquei para o Bar 20, no Rio de Janeiro. Hoje com os bondes infelizmente circulando apenas dos arcos da Lapa até os Prazeres, Santa Teresa tem esses desenhos dos trilhos que são incríveis e sempre me vêm à cabeça. Deste que é o bonde elétrico mais antigo do Brasil. Hora de colocar esses sudários no mundo”. No último bloco estará uma releitura de sua icônica obra “Empilhamento”, uma grande coluna formada por bonecos de papel kraft e papel corrugado empilhados, que chegará ao terceiro andar do Museu, como uma torre de babel.

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